BANANEIRA
- Coelum Editorial

- 10 de jun.
- 2 min de leitura
Nome científico: Musa Família: Musaceaee | Origem: Ásia
Autora: LOURDES BRAZIL
67 anos | São Gonçalo - RJ
Bananeiras! Bananeiras! Um bananal que se esparramava por todo o
quintal e podia ser visto à distância. Alimentava nossos corpos com frutos
saborosos e a imaginação com simpatias para crescer os cabelos, trazer amores
de volta e arrumar amores. Nunca soube se funcionavam…
As primeiras mudas chegaram trazidas por meu pai após uma de suas
visitas aos amigos. Foram plantadas com todo cuidado por ele: prata, d’água e figo.
Meu pai era um tipo miúdo, meio sisudo, mas que trazia em si uma
amorosidade intensa por pessoas, animais e plantas – pela vida em suas
muitas manifestações.
Lembro-me que foram depositadas em covas profundas, regadas com água
ao som de melodias religiosas entoadas por meu pai, acompanhadas pelos
passarinhos. Eram orações espalhadas ao vento que viajavam... e, ainda
hoje, pousam em minhas lembranças.
Pouco a pouco, as bananeiras cresciam: nem tão rápido, nem tão devagar.
Quando menos se esperava, estavam crescidinhas, com grandes folhas,
que eram banhadas pelo sol e rasgadas pelo vento. Nasciam com um tom
verde clarinho e, em seguida, adquiriam um tom verde escuro. Forte.
Não sei por que não se diz “um verde folha de bananeira”!
Tão logo “pegavam corpo”, começavam a dar brotinhos, filhotes que iam
se juntando e formando uma touceira. Quando isso acontecia,
estava se aproximando a hora da chegada dos frutos. E eles chegavam: primeiro
um umbigo roxo, que ia se abrindo, exibindo frutas magrinhas como um
“cordão umbilical” comprido, que trazia na ponta flores-embriões que
não se desenvolveram. Ficavam lá. Alimentando um monte de inseto. Um
verdadeiro ecossistema! Os olhos atentos do meu pai acompanhavam a
gestação. O cordão precisava ser cortado na hora certa. E assim acontecia!
O aviso da colheita era dado pelos passarinhos, aqueles que cantavam
durante o plantio. Identificavam uma banana amarela e davam umas boas
bicadas! Meu pai cortava o cacho sempre aos sábados. Dividia em pencas
e colocava num cantinho até ficar no ponto de ser o alimento do corpo e da
alma da família e dos vizinhos.
D’água para todos e para se comer a qualquer hora, menos à noite.
Prata para os bebês, amassadinha com farinha láctea.
Figo, a rainha! Presente em diversos momentos:
podia ser no café da manhã, cozida, bem quentinha, cortada em grossas rodelas.
Também podia ser depois do almoço, como sobremesa: fatiada, frita e coberta com açúcar e canela em pó. Sabor e aroma ainda presentes em mim.
Tão logo o fruto era colhido, a árvore era cortada, abrindo espaços para
novos filhotes, que cresciam e davam novos frutos. Sempre regados
com água, com o canto do meu pai, o canto dos passarinhos e os olhares
gulosos das crianças.



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