CACTO SIANINHA
- Coelum Editorial

- 10 de jun.
- 2 min de leitura
Nome científico: Selenicereus Anthonyanus Família: Musaceaee | Origem: México
Autora: ELOÍSA ARAGÃO
55 anos | São Paulo - SP
Do México tu vieste, Sianinha, em penetrante afã
De crescer perto de árvores, pedras e recantos
É onde ficas bem, a casa rústica e segura
Tomas da terra, da água e do sol a força de te ergueres
Contra o vasto caos e o vazio
As folhas penduradas, cabelos verdes encorpados
Dizem de ti os pesquisadores que transitou
Do deserto à floresta e em ferida de amor
Forjaste teus ramos, um caule delgado, no instinto cego
Tuas raízes se agarrando à superfície e se espalhando
Atravessarás o encantado das horas
Gerando a flor estrangeira
Esperemos, tenhamos paciência
Se vieres, sim, se é que virás
É preciso aguardar a noite
Quando a tua flor rósea e lilás, miolo branco,
Regalo de estrelas abrasadora, abrirás
Somente no véu escuro de um novembro
E atravessarás a candeia germinando
A energia feminina em ser rebento
Por que tens esse mistério, Sianinha?
Só a vemos aberta durante a noite
Uma única vez e nos acena o fim
A efemeridade das coisas intangíveis
É com as mãos da noite que a tocamos
O olhar em espanto e o aroma doce
Que silente se desprende de teu miolo
O sopro de misericórdia na fissura flor
Numa terra famélica e desvairada
É no contraste de luz e sombras
Que a vi tão desperta e brilhavas
Então, eu soube que no firmamento
Há insondáveis repousos nos canteiros
E de tuas flores o unicórnio faz colares



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