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CIDRÓ

  • Foto do escritor: Coelum Editorial
    Coelum Editorial
  • 11 de jun.
  • 1 min de leitura
Nome científico: Aloysia Triphylla Royle Família: Verbenaceae | Origem: América do Sul


Autora: ELZA MARIA CASTANHO VIDAL

74 anos | Uruguaiana - RS



Imersa na reflexão, vejo meu velho pai, mãos calejadas,

passos miudinhos, visível cansaço, pedindo:


“Meu chá de cidró!”

O vento no inverno é um senhor carrasco,

maltrata do pequeno ao maior,

desde a alma diminuta até a alma mais nobre,

e a cura imediata.


É um simples chá, bem quente, de cidró.

A planta é teimosa e persistente,

em dia de vendaval, verga...

no chão é arrastada, mas...

basta ter água e logo está de pé.

Sou como esse arbusto pequeno,

murcho, fico sem cor e sem força,

cansada, sento-me no quintal da vida

e tomo chá de cidró.


O doce aquece meu coração,

seu aroma clareia minh’alma triste

e, como as folhas do cidró,

posso morrer no inverno...

renasço na primavera

exalando perfume de limão.

Enquanto tomo meu chá

de folhas verde vessie.

Na paz comigo mesma,

ouso abrir minhas asas

e voo como o beija-flor

sobre as flores do cidró.






Curiosidades: amplamente conhecida como erva cidreira, é uma erva aromática muito usada na produção de cosméticos cítricos. Rica em óleos essenciais com efeito sedativo leve, febrífugo e antiespasmódico. Suas folhas podem ser usadas contra resfriados e ainda são carminativas, eupépticas e calmantes.

Publicado na antologia poética Quintal, lançada pela Coelum Editorial em 2023.

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