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COPO-DE-LEITE

Foto do escritor: Coelum Editorial
Coelum Editorial
11 de jun.
2 min de leitura
Nome científico: Zantedeschia Aethiopica (L.) Família: Verbenaceae | Origem: Sul da África


Autora: CAROLINA MIRANDA DO ESPÍRITO SANTO

42 anos | Salvador - BA



A semente a deitar no solo

Gotas d’água a hidratar

Raios de sol a aquecer

Surges bem devagar

Raízes a correr por segurança

Caule a procurar liberdade

Flor repleta de segurança

Alvura a trazer paz

Guardas uma joia para a primavera

És responsável por um sorriso

Nas tardes és admirada

Ouve palavras saudosas

Crianças a te espiar

Mãos pequeninas a te envolver

Segurança repleta de sensibilidade

És um cálice esperançoso

Chega o mês de setembro

Primavera a surgir

Família ao seu redor

Ao som das abelhas inicia teu espetáculo

Abres com candura

Borboletas a pousar em ti

Tens o amarelo a hipnotizar

Agora tua beleza está completa

És o brilhante copo-de-leite




...



Autora: GISELA MARIA BESTER

54 anos | Curitiba - PR



Nem meio,

nem vazio.

Pleno.

Nem grande,

nem pequeno.

Cheio.


Com um buquê elegante

amarrado por barbantes,

Gladis

tornou-se minha tia.

Em ramalhetes fartos,

deste adeus em mais de um dia

a pessoas

que partiam

para mundos

distantes.

Onde sempre te vi

por toda a minha

infinita

morada da infância,

foi nos vasos

de vidros transparentes

de minha mãe.


Caule longo.

Verde macio.

Babado branco

levemente ondulado

e aveludado,

salpicado

com o amarelo pó

do pistilo esbelto.


Espécie selvagem

tão branca e viçosa,

em jardins

com água

espaçosa.


Eu sei muito pouco

sobre a eternidade,

mas ela já estava lá

mesmo antes de eu nascer,

plantada pelas mãos

calejadas e caprichosas

da minha mãe Dora,

Senhora das belezas!


Nas fronteiras dos banhados,

plantados

copos-de-leite

na nossa casa da roça.


No jardim da minha memória,

não há nada que possa

apagar-me a visão primeira

da flor que me arrebatou inteira.


Touceiras de saudades.


Hoje os tenho em telas.

Copos-de-leite.






Curiosidades: por causa do oxalato de cálcio, todas as partes dessa planta são tóxicas. Em algumas culturas, está associada à elevação espiritual, significando pureza e inocência.

Publicado na antologia poética Quintal, lançada pela Coelum Editorial em 2023.

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