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IPÊ-AMARELO

  • Foto do escritor: Coelum Editorial
    Coelum Editorial
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura
Nome científico: Handroanthus Albus
Família: Bignoniaceae | Origem: Brasil


Autora: ANA BEATRIZ CARVALHO

54 anos | Brasília - DF



Ela queria surpreender, pois era o seu aniversário.

Pensou em celebrar com encantamento e muita diversão.

Não podia faltar cor, luz e emoção.

Passeou pelas ideias e pediu aos Céus inspiração.


Olhando a natureza, reparou na estação.

Brasília estava toda pintada de amarelo e sugeria renovação.

Surgiu o grande desejo de fazer uma festa ímpar

em que a amizade, a união e a fraternidade fossem a grande atração.


Convidou cada amiga, que em coro comemorou.

Vestiu-se de amarelo, com um lindo colar de ipê da mesma cor.

Escolheu o ambiente que combinava com a beleza da flor.


O cenário era botânico, colorido e inspirador.

Via-se nas convidadas a magia do amor.

Ela então propôs a todas a criação de irmandade.


Assim nasceu a Irmandade do Ipê Amarelo repleta de esplendor.

Sentiu a satisfação de contemplar a harmonia,

fruto da frequência daquele encontro de alegria.

Voltou para casa com a doce lembrança daquele momento de esperança.


Mês de agosto, dia de sol, sentada no quintal do lar.

As plantas, em irmandade, estavam a celebrar.

Traços dourados no ar...

A vida pulsava feliz, confirmando a grandeza de sonhar e amar...




...



Autora: GRAZIELA LIMA

50 anos | Lagoa Santa - MG



Já fui pó de pólen

jogado pelo ar afora.

Voei e voei ontem,

mas meu tempo é o agora!


Já fui semente

rente à terra de outrora.

Mexi e remexi a cada poente,

mas meu tempo é o agora!


Já fui raiz penetrante,

expandindo braços dentro e fora.

Cresci e rompi terras alucinantes,

mas meu tempo é o agora!


Já fui caule frágil e delicado,

mostrando como se namora.

Dancei e cortejei um bocado,

mas meu tempo é o agora!


Já fui folha verde novinha,

desenrolando um tapete a cada hora.

Estiquei e subi como andorinha,

mas meu tempo é o agora!


Já fui botão brotando na ponta,

estourando pipocas que logo iriam embora.

Forcei e me rasguei para onde o sol aponta,

mas meu tempo é o agora!

Já fui linda flor amarela,

aninhando-me num lugar onde um buquê mora.

Aflorei e enfeitei paisagens de janela,

mas meu tempo é o agora!


Já fui isso tudo, geralmente em setembro,

colorindo a visão da mulher que chora.

Caí e enterrei cada membro,

pois meu tempo não é mais o agora!


Já fui de pó a copa frondosa,

numa fração de quinze dias sem demora.

Morri e renasci cuidadosa,

afinal, sou um ipê-amarelo e meu tempo aflora!




...



Autora: NEUSA AMANCIO

63 anos | Valença - RJ



lindos, começaram a florir

avisando que a primavera logo vai florir

pelos campos maltratados

pelo inverno rigoroso,

eles estão a enfeitar

o nosso universo


os pássaros e as abelhas adoram o seu néctar

saem em revoadas e pousam nas flores amarelas

encostados nos barrancos,

os ipês todos florescendo

não há paisagem mais linda

para se apreciar no inverno


o vento intenso de agosto

não deixa por muito tempo

essas flores viverem,

soprando forte nos montes,

levam todas para longe,

deixando os campos amarelinhos

e as lindas flores morrerem.






Curiosidades: o ipê-amarelo é a árvore mais conhecida e a mais cultivada no Brasil. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada.

Publicado na antologia poética Quintal, lançada pela Coelum Editorial em 2023.

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