MANGUEIRA
- Coelum Editorial

- há 5 dias
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Nome científico: Mangifera Indica
Família: Anarcadiaceae | Origem: Sul da Ásia
Autora: MAIRYLANDE N. C. FERREIRA
25 anos | Timon - MA
Tão pequena e atrevida, agasalhada na fascinação,
Desbravei sem primícias os galhos dos caminhos infantes.
Surge a vida, cultivada por todos os laços lépidos
Que teci nas teias do tempo.
Ouvia o amor do passado,
O doce, o amargo, ainda aquele azedo
Das histórias entrelaçadas, dos caminhos que foram
Recolhidos nas palavras, algumas tímidas, outras exageradas.
Sobre a cabeça dos prosadores, as flores hermafroditas pousavam.
Nada os inibia, o ar perfumava-se com as pétalas que o afagavam com a mesma ternura de quem as plantou.
Risonhas eram as tardes flocadas por atos.
Primeiro Dona Maria acomodava-se sem hesitar embaixo da copa da mangueira carregada de mangas-rosa ou mangas-espada...
Ah! Não mais importa, nunca houve consenso sobre qual delas embalou nossas juras sequiosas e juvenis.
No decorrer do dia sempre vinha um menino peralta e dizia: “Aí, Dona Maria, deixa nós pegar umas mangas?”
Ela imediatamente respondia: “Por mim... Só não inventa de cair!”
Os dias eram colhidos nas alegrias sentidas, nas horas bem vividas.
Éramos todos cúmplices do entardecer perene.
Nada era contrário à vida, tudo se fazia na rua das Marias.
Porém, a vida escapou entre os dedos.
No pulsar da mangueira se instalou o esquecimento.
O dia escureceu, a efemeridade o apagou.
Os corpos que por ali passavam se esvaíram.
Lembranças dos que se foram e nunca mais retornaram.
Saudade recôndita.
Os dois metros e meio da mangueira densa e frondosa da casa que sustentou minha infância e meus instantes vieram abaixo.
O que eu jamais quis perder arrefeceu-se no relento da rua vazia,
Da memória derruída.



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