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PICÃO-PRETO

Foto do escritor: Coelum Editorial
Coelum Editorial
23 de jun.
2 min de leitura
Nome científico: Bidens Pilosa
Família: Asteraceae | Origem: América Tropical


Autora: TÂNIA BAPTISTA CARVALHO

55 anos | Brasília - DF



Que nome pomposo é esse? Assim não a reconheço!

Mas é tão íntima...

Da varanda, vejo-a escondidinha:

perto do limoeiro,

embaixo da amoreira,

no meio do quintal...

E lembro de você na minha infância:

enxerida,

agarrada nas calças de meu pai, vindo

da roça...

maldosa,

presa no cachorro – coitado! –

que só queria se divertir!

intrometida,

aparecendo nos

canteiros de minha mãe...

nas brincadeiras infantis,

nas disparadas pelos caminhos,

nos pega-pegas

das tardes alegres,

tantas vezes grudava

na gente sem ser convidada!

Mas sei de seu valor e de sua generosidade!

Prestativa, estava sempre por perto e se oferecia inteira para ajudar

o bebê amarelinho que precisava de um banho,

o tio com o fígado comprometido,

a comadre com problema digestivo...

E hoje sei que pode muito mais!

Sobre você, já ouvi uma história engraçada:

Era uma vez um rapaz que tinha problemas de fígado,

e certa moça se propôs a lhe preparar um chá especial.

Chá pra lá, chá pra cá, tudo acabou em casamento.

Primeira vez que o caminho mais curto para o coração não foi o estômago!

Também já ouvi uma história sobrenatural:

O guia caboclo receitou seu chá para um doente,

e apareceu uma pessoa – do nada! –

indicando o caminho para encontrar a plantinha milagrosa!

Achei divertido quando soube que há quem a conheça como “amor de mulher”.

Fico pensando se quem a chamou assim foi um homem apaixonado,

lembrando de sua vocação para ferir e também curar...

Por tudo, você merecidamente já entrou para a cultura popular

como naquela canção divertida e cheia de duplo sentido:

“Chá de picão faz bem pra ela,

Chá de picão que ela tá muito amarela...”

Enfim, digo sincera:

A respeito, a admiro e reconheço sua importância...

Mas, plantinha atrevida, não ouse invadir o meu jardim!






Curiosidades: embora seja considerada uma planta daninha, afetando algumas culturas anuais, na medicina popular brasileira é usada para o tratamento de várias doenças, como icterícia, reumatismo, asma e hipertensão.

Publicado na antologia poética Quintal, lançada pela Coelum Editorial em 2023.

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