PICÃO-PRETO

Nome científico: Bidens Pilosa
Família: Asteraceae | Origem: América Tropical
Autora: TÂNIA BAPTISTA CARVALHO
55 anos | Brasília - DF
Que nome pomposo é esse? Assim não a reconheço!
Mas é tão íntima...
Da varanda, vejo-a escondidinha:
perto do limoeiro,
embaixo da amoreira,
no meio do quintal...
E lembro de você na minha infância:
enxerida,
agarrada nas calças de meu pai, vindo
da roça...
maldosa,
presa no cachorro – coitado! –
que só queria se divertir!
intrometida,
aparecendo nos
canteiros de minha mãe...
nas brincadeiras infantis,
nas disparadas pelos caminhos,
nos pega-pegas
das tardes alegres,
tantas vezes grudava
na gente sem ser convidada!
Mas sei de seu valor e de sua generosidade!
Prestativa, estava sempre por perto e se oferecia inteira para ajudar
o bebê amarelinho que precisava de um banho,
o tio com o fígado comprometido,
a comadre com problema digestivo...
E hoje sei que pode muito mais!
Sobre você, já ouvi uma história engraçada:
Era uma vez um rapaz que tinha problemas de fígado,
e certa moça se propôs a lhe preparar um chá especial.
Chá pra lá, chá pra cá, tudo acabou em casamento.
Primeira vez que o caminho mais curto para o coração não foi o estômago!
Também já ouvi uma história sobrenatural:
O guia caboclo receitou seu chá para um doente,
e apareceu uma pessoa – do nada! –
indicando o caminho para encontrar a plantinha milagrosa!
Achei divertido quando soube que há quem a conheça como “amor de mulher”.
Fico pensando se quem a chamou assim foi um homem apaixonado,
lembrando de sua vocação para ferir e também curar...
Por tudo, você merecidamente já entrou para a cultura popular
como naquela canção divertida e cheia de duplo sentido:
“Chá de picão faz bem pra ela,
Chá de picão que ela tá muito amarela...”
Enfim, digo sincera:
A respeito, a admiro e reconheço sua importância...
Mas, plantinha atrevida, não ouse invadir o meu jardim!



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